• Dra. Denise Muniz

Reposição Hormonal auxilia no combate da diabetes?



A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que 1 em cada 11 pessoas no mundo tem diabetes. No Brasil são cerca de 12,5 milhões de pessoas convivendo com os altos índices glicêmicos.

Diretamente relacionada com a resistência à insulina, o diabetes mellitus é uma doença onde os níveis de açúcar no sangue se elevam devido ao fato de o pâncreas não produzir qualquer insulina ou não produzir insulina suficiente, para ajudar a glicose a entrar nas células do corpo - ou a insulina que é produzida não funciona adequadamente, o que chama-se de resistência à insulina.

Acontece que, no caso das mulheres, o período da menopausa também demanda uma atenção extra, já que essa é uma fase em que, devido à redução do metabolismo e dos hormônios femininos, uns quilinhos a mais podem surgir. Esse peso extra é um fator de risco para a resistência insulínica - ou seja, para o diabetes.

Para que você entenda melhor, os hormônios estrógeno e progesterona auxiliam no controle da insulina, porém, com a chegada da menopausa o corpo da mulher deixa de produzir estes hormônios e com isso é possível que os níveis de açúcar no sangue se tornem mais instáveis, e, para aquelas diagnosticas com diabetes antes do período da menopausa, pode ser necessário ajustar as doses dos medicamentos.

“Se os hormônios são fatores determinantes nesse processo, poderia a reposição hormonal ajudar no controle da glicemia?”. Essa é uma pergunta constante para quem lida com o assunto, mas pesquisas ainda são inconclusivas, já que apontam resultados conflituosos.

Mas, uma pesquisa realizada na Universidade de Skopje, na Macedônia, um país localizado na península balcânica, no sudeste da Europa, ao analisar, por doze meses, a condição de saúde de 40 mulheres - metade delas submetidas à terapia de reposição hormonal, e outras que não usaram o método para servirem como grupo de controle - no período pós-menopausa, perceberam que a terapia de reposição hormonal foi associada a uma diminuição significativa da resistência à insulina.

Apesar dessa ser uma notícia animadora quando falamos em tratamento e prevenção ao diabetes, os autores apontam que ensaios clínicos maiores ainda serão necessários para entender se a terapia de reposição hormonal pode melhorar a resistência à insulina e a homeostase da glicose em mulheres com diabetes, especialmente quando dadas logo após a entrada na menopausa.

Converse com seu médico e, principalmente, com sua ginecologista, caso você esteja entrando na menopausa e sinta que esse período tem influenciado seus marcadores glicêmicos - para notar tal oscilação, o recomendado é monitorar a glicemia. Somente um profissional especializado poderá decidir se o tratamento com reposição hormonal é indicado para o seu caso.

Conte comigo para isso.

Fontes: Bitoska, et al. Effects of Hormone Replacement Therapy on Insulin Resistance in Postmenopausal Diabetic Women. Open Access Maced J Med Sci. 2016 Mar 15; 4(1): 83–88.

Sociedade Brasileira de Diabetes

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