• Dra. Denise Muniz

Ficar grávida realmente diminui o risco do CÂNCER DE MAMA?


Vocês já sabem: todo mês de outubro falamos sobre câncer de mama. Afinal, segundo o INCA,  esse é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres no país (excluídos os tumores de pele não melanoma).


Nesse post você vai entender melhor sobre evidências científicas que apontam para um efeito protetor da gravidez contra o câncer, bem como se informar sobre maneiras de detectar possíveis alterações na mama e obter um diagnóstico precoce. Continue lendo!


O QUE A CIÊNCIA DIZ SOBRE GRAVIDEZ X RISCO DE CÂNCER DE MAMA

Não é nenhuma novidade, as principais evidências científicas aponta que o modificador mais forte conhecido do risco de câncer de mama em uma mulher é sua história reprodutiva.


Assim, gravidezes a termo em idade precoce e um número crescente de partos resultam em um risco reduzido de câncer de mama, enquanto o aborto não influencia o risco de câncer de mama.


Estudos anteriores sobre nascimento prematuro e risco de câncer de mama, entretanto, não tiveram poder estatístico para mostrar qualquer efeito específico da duração da gravidez no câncer de mama.


Foi revelada uma informação interessante: segundo a análise realizada pelo grupo de pesquisadores europeus, o efeito protetor da gravidez sobre o risco de câncer de mama parece surgir precisamente na 34ª semana de gravidez. O que eles descobriram com essa análise foi que a redução no risco de câncer de mama não foi observada em gestações com duração de 33 semanas ou menos, mas restrita àquelas gestações com duração de 34 semanas ou mais.


E podemos dizer que é um estudo expressivo quando falamos em amostra: foram analisados dados de 2,3 milhões de mulheres dinamarquesas e os achados foram replicados em dados de 1,6 milhão de mulheres na Noruega!


O que se sugere, portanto, é que existe um efeito biológico distinto introduzido por volta da 34ª semana de gravidez que pode ser a chave para entender a proteção contra o câncer de mama associado à gravidez.

DETECÇÃO DO CÂNCER DE MAMA

Durante muitos anos muito se falou sobre o autoexame e você já deve ter percebido que esse ano ele não tem sido o foco da discussão do Outubro Rosa. Claro, há um motivo por trás disso: atualmente entendemos que mais do que um exame, a mulher precisa ser educada sobre a importância de conhecer o seu próprio corpo para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama.


Além disso, no Brasil, conforme as Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama, a mamografia é o único exame cuja aplicação em programas de rastreamento apresenta eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama.


Portanto, a mamografia de rotina é recomendada para as mulheres de 50 a 69 anos uma vez a cada dois anos. A determinação dessa periodicidade baseia-se na evidência científica do benefício dessa estratégia na redução da mortalidade nesse grupo e no balanço favorável entre riscos e benefícios.


Em todo caso, falar sobre o acesso rápido e facilitado aos serviços de saúde, tanto na atenção primária quanto nos serviços de referência para investigação diagnóstica é fundamental. Para contribuir e esclarecer o tema, confira o que é considerado sinal e sintoma suspeitos de câncer de mama:


* Qualquer nódulo mamário em mulheres com mais de 50 anos.


* Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual.


* Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade.


* Descarga papilar sanguinolenta unilateral.


* Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos.


* Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral.


* Presença de linfadenopatia axilar.


* Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja.


* Retração na pele da mama.


* Mudança no formato do mamilo.

Não deixe de buscar um médico caso note qualquer alteração em suas mamas e, principalmente: se toque!


Fonte: Husby, Anders et al. “Pregnancy duration and breast cancer risk.” Nature communications vol. 9,1 4255. 23 Oct. 2018, doi:10.1038/s41467-018-06748-3

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