• Dra. Denise Muniz

Você sabe como funciona e quais são os efeitos da pilula do dia seguinte?



No mundo todo, mais de 100 milhões de mulheres atualmente usam contraceptivos orais ou já os usaram no passado. Se você chegou até aqui, provavelmente se enquadra nesse dado ou conhece alguém que contribui para ele. Apesar de serem super comuns, os anticoncepcionais ainda levantam muitas dúvidas e polêmica! Por isso, vamos falar sobre tudo que você precisa saber sobre a pílula do dia seguinte.

DIFERENÇA ENTRE ANTICONCEPCIONAL E PÍLULA DO DIA SEGUINTE (PDS)

A principal diferença está na quantidade de hormônios, devido ao fato de que cada uma dessas pílulas têm objetivos diferentes.

Enquanto a cartela de anticoncepcional mensal, atualmente, não extrapola a marca de 50 mg de estrogênio sintético, uma única dose da PDS contém o equivalente à metade de uma cartela de pílulas anticoncepcionais tradicionais.

Isso porque a pílula tradicional consiste em pequenas doses diárias de hormônios que inibem a ovulação, enquanto a PDS tem que criar o mesmo efeito com uma única dose em casos de emergência - eis aí outra diferença importante, EMERGÊNCIA e não descuido, ok?

AMIGA OU VILÃ?

A resposta depende do uso que cada mulher faz da mesma. Ter acesso a um método de emergência é uma conquista para nós, mulheres. No entanto, quando usada como um método contraceptivo de rotina, ou várias vezes ao longo dos meses, ela pode representar um perigo.

Tanto hormônio no corpo de uma vez só pode causar alguns efeitos colaterais inconvenientes, como: cefaleia, dor nas mamas, irregularidade do ciclo menstrual, além de causar vertigem e vômito - neste caso, se o vômito acontecer até duas horas depois do uso da PDS, será necessária outra dose.

Vale ressaltar que a pílula do dia seguinte possui as mesmas contraindicações da pílula anticoncepcional, com um alerta especial para pessoas com risco aumentado de trombose.

QUANDO USAR

Em casos onde o método contraceptivo de rotina falha, seja ele camisinha, pílula anticoncepcional, etc.

Ainda assim, vale ressaltar que nenhum método contraceptivo tem 100% de eficácia garantida. A Pílula do Dia Seguinte, mesmo quando tomada de maneira correta (no máximo 72 horas após a relação), ainda falha em 15% dos casos.

QUANDO NÃO USAR

Rotineiramente. A pílula do dia seguinte é um método de emergência e não um contraceptivo de rotina.

E fica o alerta, O ideal é utilizá-la uma vez por ano. Ela é menos segura que a pílula normal e ingerí-la sempre aumenta o risco de gravidez e de confusão no ciclo menstrual. A mulher passa a não reconhecer o funcionamento do próprio corpo.

O QUE DIZEM OS ESTUDOS

Um estudo desenvolvido pelo Sistema de Saúde da Universidade Loyola indica que as pílulas anticoncepcionais causam um aumento pequeno, mas significativo, do risco do tipo mais comum de derrame, de acordo com um relatório abrangente da revista MedLink Neurology.

Para que você entenda melhor, a pesquisa aponta que os contraceptivos orais aumentam o risco de derrames isquêmicos, que são causados por coágulos sanguíneos e representam cerca de 85% de todos os derrames. Na população em geral, os contraceptivos orais não parecem aumentar o risco de derrames hemorrágicos, causados por sangramento no cérebro.

Por outro lado, mulheres que fumam, possuem pressão alta ou histórico de enxaqueca, o risco de derrame é significativamente maior. O que a pesquisa aponta sobre esses casos é a necessidade de uma minuciosa análise do histórico da paciente e que, caso constatado o risco, essas mulheres sejam desencorajadas a usar contraceptivos combinados.

Informação e educação para a vida sexual são fundamentais. Entender que, quando usados de maneira correta, os medicamentos, em geral, são uma conquista científica e, nesse caso, para muitas mulheres que, independente do motivo, falha do método primário ou violência - seja estupro ou quando o “parceiro” retira a camisinha sem o consentimento da mesma (algo que, vale ressaltar, também configura um crime) -, não desejam engravidar.

Qualquer dúvida sobre contraceptivos, conte comigo!

Fonte: Marisa McGinley et al. Hormonal Contraception and Stroke. MedLink Neurology, September 2015

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