• Dra. Denise Muniz

Câncer de Colo do Útero: é tudo culpa do HPV?



Também conhecido como câncer cervical, o câncer de colo do útero está diretamente associado ao Papilomavírus Humano (HPV). Mas vamos com calma na associação, afinal, nem todo mundo que desenvolve infecções por HPV, desenvolve câncer, e além disso, existem mais de 150 tipos de HPV! Continue lendo para entender.


O QUE É O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO


Os dados mostram que, no Brasil, excetuando-se o câncer de pele não melanoma, o câncer cervical é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (atrás do câncer de mama e do colorretal), e a quarta causa de morte de mulheres por câncer.


Falar de câncer é sempre delicado, afinal, o nome assusta, bem como os dados. Mas informação é uma das principais maneiras de estar preparado para a prevenção e/ou diagnóstico precoce da doença.

Falar de prevenção e diagnóstico precoce é importante porque o HPV pode ser prevenido e, quando há a infecção e o câncer é descoberto no início, as chances de cura do câncer cervical são de 100%.

Vale dizer que essa muitas vezes é uma doença silenciosa e de desenvolvimento lento. Na fase inicial não costuma haver sintomas, já nos casos mais avançados, pode evoluir para sangramento vaginal intermitente (que vai e volta) ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais.


QUAL A RELAÇÃO ENTRE HPV E CÂNCER DE COLO DE ÚTERO?


Existem mais de 150 tipos de HPV e a infecção genital por esse vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para o câncer. Vale dizer que essas alterações são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou ou Papanicolau), e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, é importante a realização periódica deste exame.

Ainda falando sobre a relação entre os dois, cabe destacar que o HPV pode ser classificado em tipos de baixo e de alto risco de desenvolver câncer.

Confira o que o Ministério da Saúde aponta:


“Existem 12 tipos identificados como de alto risco (HPVs tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59) que têm probabilidades maiores de persistirem e estarem associados a lesões pré-cancerígenas.


Os HPVs de tipo 16 e 18 causam a maioria dos casos de câncer de colo do útero em todo o mundo (cerca de 70%). Eles também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, até 60% dos casos de câncer de vagina e até 50% dos casos de câncer vulvar. Os cânceres de boca e de garganta são o sexto tipo no mundo, com 400 mil casos e 230 mil mortes ao ano. A incidência está fortemente relacionada ao HPV e à prática de sexo oral.


Os HPVs de tipo 6 e 11, encontrados na maioria das verrugas genitais (ou condilomas genitais) e papilomas laríngeos, parecem não oferecer nenhum risco de progressão para malignidade.”


SINTOMAS QUE MERECEM ATENÇÃO


Como comentei antes, o câncer de colo de útero em estágio inicial geralmente não produz sinais ou sintomas. Quando esses sintomas surgem, já numa fase mais avançada, costumam incluir:


- Sangramento vaginal após a relação sexual, entre períodos ou após a menopausa

- Corrimento vaginal aquoso e com sangue que pode ser pesado e ter um odor desagradável

- Dor pélvica ou durante a relação sexual


COMO PREVENIR


- Vacina contra o HPV! Existem duas vacinas profiláticas contra HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que estão comercialmente disponíveis: a vacina quadrivalente, que confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18; e a vacina bivalente, , que confere proteção contra HPV 16 e 18.


A quadrivalente está disponível no SUS desde 2014, quando meninas de 9 a 13 anos foram vacinadas. Hoje o esquema vacinal já está disponível para meninos de 11 a 14 anos e meninas de 9 a 14.


- Faça exames de rotina (Papanicolau). Ele ajuda a detectar condições pré-cancerosas do colo do útero, ou seja, diagnóstico precoce, permitindo que o quadro seja monitorado e tratado para prevenir o câncer do colo do útero. Toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico, especialmente dos 25 aos 59 anos de idade.



Marque uma consulta com seu médico se tiver quaisquer sinais ou sintomas que o preocupem.


Fonte:

Mayo Clinic

Inca

Ministério da Saúde

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