• Dra. Denise Muniz

A saúde mental das mulheres durante uma gravidez de alto risco merece atenção



A gravidez, por si só, é um momento de muitas emoções diferentes para a mulher. A maioria costuma experienciar uma grande alegria, mas há preocupação quando a gestação não foi planejada. Além disso, existem todos os cuidados que devem ser tomados pela própria saúde e bem-estar da criança, os hormônios em níveis com os quais a mulher não está acostumada e todas as inseguranças que acompanham a maternidade: “Será que serei uma boa mãe? Saberei segurar o bebê? E se não tiver leite? E se o irmãozinho tiver ciúmes?”

Quando a gestação é de alto risco e o cuidado deve ser redobrado, as emoções ficam mais bagunçadas ainda. Neste Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, venho dar o recado de que a saúde mental das gestantes de alto risco merece muita atenção.

Quando a gravidez é considerada de alto risco?

Uma gravidez de alto risco é quando a mulher tem doença crônica, quando a gestação anterior foi de alto risco ou quando, depois da concepção, se descobre alguma condição ou doença que vai oferecer risco à mulher e ao bebê. No primeiro caso, estão incluídas doenças como hipertensão arterial, diabetes, lúpus, doenças psiquiátricas, neurológicas ou cardíacas, ou infecções crônicas, como hepatite e HIV.

A saúde mental das gestantes

De acordo com estudo publicado no periódico BMC Pregnancy Childbirth, o bem-estar da mulher na gravidez de alto risco multidimensional. Nas conclusões, os autores dizem que muitas vezes os profissionais de saúde tendem a se concentrar principalmente no aspecto físico durante uma gestação de alto risco e se esquecem das percepções, sentimentos e experiências das mulheres grávidas.

Ainda conforme a publicação, evidências apontam que uma etapa importante no cuidado materno é o uso de abordagens centradas na mulher. “Portanto, os profissionais de saúde precisam não apenas gerenciar os problemas de saúde físico associados à gestação de alto risco, mas também prestar muita atenção aos sentimentos, satisfação e bem-estar das mulheres grávidas”, concluem os autores.

Doutora, e quais são os problemas que posso ter?

Os transtornos mentais perinatais não se limitam à depressão. Eles podem incluir ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, psicose pós-parto, transtorno do pânico e fobias. São fatores de risco já ter apresentado transtornos mentais em algum momento da vida ou ter condições estressantes e traumatizantes ao longo da gestação, como uma gravidez de alto risco ou a falta de recursos financeiros.

Quando falamos de gestação de alto risco, é importante lembrar: não existe um botão no cérebro que desliga a depressão ou ansiedade depois que a mãe já está com o bebê perfeitamente saudável nos braços, por isso os sintomas podem perdurar além do parto.

Além do bem-estar materno, prestar atenção à saúde mental da mulher impacta de maneira positiva o desenvolvimento da criança, pois depressão materna pode constituir-se em maior risco de desenvolver desordens emocionais, comportamentais, afetivas, cognitivas e sociais a longo prazo.

Além disso, como eu já falei em outros artigos, o estresse pode interferir no desenvolvimento do bebê e aumentar o risco de infecções, além de favorecer o parto prematuro e o nascimento com baixo peso.

Doutora, como lidar com essa situação?

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que gravidez de alto risco não é sinônimo de nenhum transtorno mental. Esse período pode ser perfeitamente tranquilo física e psicologicamente, e tomara que seja assim.

Em segundo lugar, é normal sentir tristeza e outros sentimentos ruins em alguns momentos, afinal, isso é comum para qualquer pessoa. Além disso, como eu disse ali em cima a gravidez já muda radicalmente a vida da mulher; quando é de alto risco, as inseguranças são ainda maiores.

Quando esses sentimentos perduram, no entanto, é preciso buscar ajuda. Eu sempre recomendo às minhas pacientes que me procurem se estiverem sentindo os seguintes sintomas de forma recorrente, dentre outros que causam sofrimento:

  • Tristeza, irritabilidade, ansiedade e angústia

  • Medo, insegurança, desesperança, desespero, sensação de desamparo e vazio

  • Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas

  • Preocupação excessiva com o futuro

  • Perda de interesse em atividades de que antes gostava, falta de motivação e apatia

  • Pessimismo, culpa, baixa autoestima, falta de sentido na vida e sentimentos de inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte

  • Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento

  • Insônia ou mudanças nos hábitos de sono

  • Dores e sintomas físicos não justificados por problemas médicos

Eu sempre lembro às gestantes que acompanho que em hipótese alguma elas devem se automedicar, pois nem todos os antidepressivos ou ansiolíticos podem ser tomados por quem está esperando uma criança.

Por isso, se está sentindo sintomas de algum transtorno mental, procure seu ginecologista e obstetra. Ele pode recomendar que você comece a fazer acompanhamento com psiquiatra ou psicólogo para enfrentar este momento, de modo que sua gravidez prossiga da forma mais tranquila possível com foco no que mais importa: sua saúde e a do bebê.

Para isso, é imprescindível que você siga à risca as recomendações médicas, compareça a todas as consultas e exames, faça exercícios físicos (sob supervisão profissional), se alimente bem, faça atividades de que goste e se cerque de pessoas que ama e que lhe querem bem. Sempre peça ajuda quando necessário - apoio emocional é um dos principais fatores para evitar transtornos mentais entre as mulheres que são mães.

Eu estou sempre à disposição! Agende sua consulta!


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